A postura do seu filho em relação aos estudos é sempre de protesto?

“A postura do meu filho em relação aos estudos é sempre de protesto. Os argumentos sobre a falta de utilidade das matérias que ele tem que estudar são muito bons”.

A dinâmica de vida que essa geração vive a torna mais descrente em relação aos benefícios que o conhecimento pode trazer e um tanto mais resistente ao esforço que cada um precisa colocar para desenvolver todo seu potencial. Sim, a escola pode e precisa tornar os conteúdos mais atraentes para o aluno.

É esse o maior desafio que precisa ser vencido do lado de quem se propõe a ensinar. Mas só a escola não tem a chave para realmente mudar a postura do seu filho em relação aos estudos. E nós, pais, não podemos cair na tentação de misturar a admiração pela capacidade de argumentar que nossos filhos têm quando não querem estudar  com a responsabilidade que temos em educá-los.

A forma de socorrer seu filho dessa armadilha disfarçada de “ótima capacidade de argumentação” é pensar que diante da enorme velocidade de mudanças que vivemos, realmente não sabemos do que eles precisarão no futuro. A única certeza que podemos ter é de que nosso filho está sendo (ou não está sendo) preparado para o incerto, o novo, o faça-você-mesmo. E a pergunta é: quais são as ferramentas que ele precisa ter em sua caixa de recursos para se garantir, poder se realizar e ser feliz pessoal e profissionalmente. Não sabemos exatamente do que ele precisará. Mas há uma certeza. Se ele estiver equipado de habilidades de convívio social e auto conhecimento, tudo o que ele levar para o futuro de conhecimento formal será útil. Não se abale diante dos ótimos argumentos.

Organize a rotina de estudos, não seja flexível quanto aos combinados de horário de tarefa e responsabilidades que são do aluno e do filho. Caso dê aquela necessidade enorme de ter a resposta, simplesmente admita que os argumentos dele são ótimos, mas que você não faz a mínima ideia de como ele vai aplicar tudo isso. E diga que você tem uma única certeza, a de que ele só vai poder contar com aquilo que tiver de fato aprendido para então poder construir o que sonhar para a vida dele!

            

Até que ponto a birra é “normal” para a idade dos filhos?

Será que esse comportamento é normal para a idade ou uma demonstração de que seu filho precisa de ajuda?

Birra, choro para não compartilhar o brinquedo, recusa em se desconectar, discussões na hora de cumprir combinados ou brigas para fazer a lição de casa são comportamentos que fazem parte do dia a dia em muitas casas. A forma como os responsáveis lidam com comportamentos negativos ou inadequados tem muito mais impacto na vida de seus filhos do que se pode imaginar.

A abordagem dos pais será determinante para o desenvolvimento das ferramentas que essa criança ou adolescente terá para enfrentar seus próprios desafios. Além das consequências para auto estima, segurança e auto confiança, a consistência dos pais na educação de seus filhos é refletida na relação que a criança ou adolescente tem com os estudos.

Ao acompanhar um aluno em sala de aula é possível identificar como diversos aspectos da vivência em família se refletem na relação com os colegas e com  o processo de aprendizagem. E o inverso também é verdadeiro: ao observar como uma criança reage à frustração e à estipulação de limite é possível antecipar que tipo de dificuldades ou vantagens ela terá como aluna. Porém, para os pais, que estão no olho do furacão da vida moderna, tentando equilibrar tantos pratos ao mesmo tempo, nem sempre é possível identificar que comportamentos são “da idade” ou o que precisa ser ajustado, para o bem do filho. Ou que atitudes são simples pedido de socorro, de limite, de tempo sem pressa, de um olhar de amor, daqueles capazes de enxergar lá no fundo da alma de um filho.

Que tal começar a semana investindo na comunicação com seu filho através do olhar? Se isso não for suficiente, acompanhe os próximos posts por aqui com dicas sobre comportamentos que são pedidos de socorro, disfarçados de rebeldia, seja em casa ou na escola!

            

 

Crianças pequenas deveriam ter que cumprir horários na escola?

“Todos os dias é um estresse na hora de acordar para a escola. Eu prefiro não apressar meu filho, ele vai ter muito tempo para cumprir horário quando crescer.”

É normal que uma criança ou adolescente reclame por ter que acordar cedo. O desafio é evitar que esse protesto chegue a gerar um caos já no início do dia de toda a família. Como fazer isso? Primeiro, combine um limite de horário para que a casa toda entre no modo “desacelerar”. A partir desse horário, ninguém online ou em brincadeiras agitadas. Banho e leitura são as melhores opções. Um bom desenho mais tranquilo ou um programa de TV mais calmo são algumas opções bem realistas também. A rotina é essencial para que nossos filhos possam tornar o “dormir mais cedo” um hábito que vai ter alto impacto positivo não somente nos estudos, mas no dia de toda a família. O segundo aspecto é não demonstrar pena do seu filho por ter que cumprir o horário da escola. Você pode estar se perguntando se não é cedo demais para fazer com que eles comecem a ser apressados, a ter uma rotina estressante desde tão pequenos. Sim, para isso é. E para evitar essa judiação, é preciso acordar alguns minutos mais cedo. Se a manhã começar tranquila, com cada um assumindo sua responsabilidade, não haverá estresse, nem necessidade de apressar seu filho.

Chegar atrasado na escola com a desculpa de que ele ainda é uma criança só prejudica seu filho. Se você o matriculou naquela escola, é preciso cumprir as regras de horário para entrada e saída. Há um enorme aprendizado para a vida toda nisso. E os prejuízos em termos de socialização e aprendizagem para um aluno que chega sempre atrasado são enormes. Seu filho não vai aprender a respeitar regras e horários quando crescer. Ele vai aprender isso com vocês, pais e responsáveis, a partir do exemplo que passam no dia a dia. Esse aprendizado fica para sempre e torna-se a base para outras habilidades que ele desenvolverá durante seu desenvolvimento!

            

Quando o filho não quer mais ir para a escola

Meu filho quer ser sempre o primeiro da fila, o ajudante da sala, o escolhido para tudo. Quando isso não acontece, perde o interesse em ir para a escola.

Querer ser o primeiro da fila, o ajudante da sala ou escolhido para uma atividade não é problema. Então tudo bem seu filho não gostar mais da escola se esses desejos não se realizarem? Não! Aí é que mora o perigo.

Muitas vezes os pais vão pedir que o professor atenda aos anseios daquele aluno para que ele continue interessado em ir para a escola. Entra aqui a importância da parceria entre escola e família. Muito mais do que as letras, números ou outros conteúdos, é esse tipo de aprendizado que a escola vai trazer para seu filho: habilidades de convívio social.

Mas a escola sozinha não vai poder ajudar a criança se a família entrar em confronto com a professora ou com outros pais toda vez que o filho for contrariado. Quando seu filho chegar contando que não pode ser o primeiro da fila, entenda como um pedido de ajuda: “mãe, você pode me ajudar a conviver em grupo?”.

Quando ele disser que não quer ir para a escola porque a professora não o escolheu para uma determinada atividade, ele está pedindo: “pai, você pode me ajudar a ter segurança e auto estima o suficiente para não precisar ser o foco da atenção o tempo todo?”. E como você pode fazer isso? Trazendo jogos de tabuleiro para o dia a dia e reservando tempo com a criança, sem outras distrações. Nos jogos, você ganha algumas vezes. Ele ganha outras vezes. Mas não dê tanta importância para a vitória. Demonstre estar feliz só pelo tempo que brincaram juntos. Não deixe a casa toda preparada para seu filho. Peça ajuda. Ele não precisa ser o primeiro a ser servido sempre. Invertam os papeis dentro da família de vez em quando. Participar e estar envolvido ao invés de ser sempre servido são os melhores caminhos para responder ao pedido de socorro que seu filho está mandando em forma de protesto!

            

Grupos de WhatsApp de pais pode prejudicar a autonomia dos filhos

Há dias em que a Hora da Tarefa parece mais a Hora do Espanto dentro de casa. As desculpas variam conforme a criatividade do filho ou permissividade ou sentimento de culpa dos pais.

Em todas as idades aparecem desde o clássico “não deu tempo de copiar a tarefa” até o velho “não entendi o que a professora ensinou, mas ela nem quis explicar de novo para mim”. Os pais entram na armadilha de olhar para o filho como vítima. E lá se foi a chance desse capítulo da novela “A Hora da Tarefa” ter um final feliz.

Imediatamente os pais tentam buscar a resposta para a atividade que o filho não fez ou não copiou. Tomam para si o problema que deveriam estar dando o suporte para que o filho resolvesse. Sim, você pode ajudar e apoiar, mas ainda assim deixar que seu filho busque soluções. Há uma forma simples para fazer isso e ainda ter o bônus de ensinar lições que ficarão para outras situações da vida. É nessa hora que a tecnologia vai se tornar a grande aliada: não copiou a tarefa? Basta mandar uma mensagem para um amigo e pedir que mande uma foto da página. Seu filho copia da foto as atividades e só então as responde. Não sabe como responder a pergunta? É só ligar para um colega e perguntar como ele resolveu aquela questão. Não entendeu o que a professora explicou? Chama outro aluno da sala e pergunta o que ele entendeu. Só não se esqueça que a tecnologia será o recurso para conectar seu filho ao colega. Depois de se falarem, equipamento desligado para que a lição possa ser terminada.

Aos pais, fica o alerta para manter firme o autocontrole: não assumir o problema que seu filho terá um grande orgulho em resolver. Levante a mão direita e repita bem alto: “não vou resolver por ele no grupo de Whatsapp de mães!”